Caderno Teológico

Blog do Missionário Andrew Comings

Arquivo para dezembro, 2008

O Evangelho Segundo Luiza Tomé

Outro dia fui abastecer meu carro num posto, e recebi como brinde um jornal, que veio com um exemplar complementário da revista Caras. Esta publicação não faz parte da minha leitura cotidiana, mas a manchete desta edição chamou minha atenção: Luiza Tomé conta como a fé salvou seu casamento.

Não sei nada sobre a atriz.  Segundo o artigo, ela trabalha na Rede Record, e atualmente esta involvida numa minisérie chamada “Os Óculos de Pedro Antão”.  Tambem, segundo o artigo, ela é evangélica recem-convertida (a dois anos) e frequenta a Igreja Batista Palavra Viva.

No artigo, a revista Caras fez a seguinte pergunta para a Sra. Tomé:

O que aconteçeu na sua routina de vida depois que você virou evangelica?

A resposta da atriz:

Muita coisa. A relação melhorou. Adriano era mais ciumento e isso incomodava. Ele aprendeu a perdoar, a não ter mágoa, coisas que só fazem mal. Eu o levei para a igreja e, no final, ele se apegou muito mais. Já fui católica, budista, kardecista. Mas agora me achei. O mundo precisa de fé. Não consigo viver sem Deus. Peco, sou pecadora, sim. Gosto de dançar, beber vinho, fumar meu cigarro. Mas tenho encontrado mais equilíbrio.

Agora, antes de mais nada, quero dizer que não estou questionando a conversão da Luiza Tomé, nem o seu sincero desejo de testemunhar da sua fé na mídia.  Este artigo não é um ataque pessoal contra ela. Não descarto a posibilidade dela ter expressado bem melhor, e a resposta dela ter sofrido cortes pela editora.  Porem, a maneira em que saiu na revista deixa muito a desejar, e só confunde para pessoas de fora, que precisam deseperadamente ouvir uma apresentação clara do evangelho. Vejam comigo alguns detalhes.

1. Segundo a atriz, os benefícios da sua conversão são: melhoras no relacionamento, um marido menos ciumento, e mais equilíbrio.  Não duvido que estas coisas podem ser um efeito da conversão, e tambem não duvido que aconteceram de verdade na vida da atriz.  Porem, o benefício principal da nossa conversão é justificação que resulta em paz com Deus (Romanos 5:1).  Jesus Cristo satisfez na cruz a ira justo de um Deus santo e todo-poderoso, e nos deu pleno acesso a Ele.  Diante desta “melhora de relacionamento” todas as outras são apenas colaterais.  

2. No grande rodízio de crenças que existe hoje em dia, Luiza Tomé já experimentou vários.  Graças a Deus que ela encontrou a verdade.  Porem, ao descrever este encontro, ela diz “agora me achei”.  Quero esclarecer:  uma conversão a Cristo não significa “se achar”, e sim achar a Cristo.  O cristianismo é o oposto polar de um relacionamento de auto realização.  Vejam as palavras do próprio Cristo: 

Então disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, e siga-me; pois, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; mas quem perder a sua vida por amor de mim, achá-la-á. (Mat. 16:24-25)

3. Concordo plenamente com a atriz que “o mundo precisa de fé”.  Mais especificamente, o mundo precisa da fé verdadeira em Jesus Cristo, que salva dos pecados e restaura o relacionamento quebrado com Deus.  Se não fizer esta distinção, então o cristianismo vira apenas outra escolha de fé, no mesmo nível do catolicismo, budismo, ou kardecismo.

4. Sabemos que nós, como crentes, temos que encarar a presença constante de pecado em nossas vidas.  O próprio Apóstolo Paulo lamentou “Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; com efeito o querer o bem está em mim, mas o efetuá-lo não está. Pois não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse pratico.”  Mas qual foi sua auto-avaliação diante desta realidade?  “Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte?”  E o seu consolo não era um senso de equilíbrio, e sim “Graças a Deus, por Jesus Cristo nosso Senhor!”  Minha preocupação com as palavras da atriz é que não vejo tristeza quanto ao pecado, nem desejo para transformação.  É como se ela estivesse dizendo “Peco sim, e daí?”

O manchete do artigo foi mais infeliz ainda neste sentido: LUIZA TOMÉ: ‘PECO SIM, MAS EU CREIO EM DEUS’.  Ela (ou os editores da revista Caras) precisam ler Tiago 2:19.

Com certeza Luíza Tomé não é a única celebridade culpada de expressar um cristianismo completamente oca e vazia na mídia.  Lembro-me de uma cantora que falou que teve uma visão de Cristo, e que ele era “um gato”.  Uma afirmação dessa faz a Sra. Tomé parecer positivamente ortodoxa em comparação. 

Faço um apelo aos nosso irmãos que se encontram em posições de destaque na mídia, sejam atores, cantores, ou atletas:  Vocês, pela sua posição, têm uma plateia maior, e assim uma responsabilidade maior de expressar corretamente a sua fé.  Se aprofundem nas escrituras.  Nas suas agendas cheias, procurem tempo para ler obras de apologética (sujiro os livros de Francis Schaeffer, entre outros), que lhes ajudarão a transmitir de uma forma digna e verdadeira o evangelho de Cristo.  O mundo está de ouvidos abertos para vocês.  Não desperdicem esta oportunidade! 

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Quarto Mito Infernal: O Inferno é Aqui na Terra

Chegamos, enfim, ao final do nosso estudo sobre o Inferno.

No seu livro Jesus For President (Jesus para Presidente) Shane Clayborne diz o seguinte:

O Inferno não é apenas algo que vem após a morte e sim algo que muitos estão vivendo neste exato momento.  1,2 bilhões de pessoas  almejam uma gota de água todo dia;  mais que 30 milhões de crianças morrem de fome a cada dia; e trinta e oito milhões de pessoas estão morrendo de AIDS.  Me parece ridículo pensar em pregar para eles sobre o inferno…

Clayborne aqui está apenas repetindo um pensamento comum entre os que tentam re-definir o Inferno.  A lógica é o seguinte:  diante de tanto sofrimento na terra, será que o inferno pode ser pior?

Em Marcos 9:42-48, Cristo faz uma comparação interessante ao falar do lugar de eterno sofrimento:

Mas qualquer que fizer tropeçar um destes pequeninos que crêem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma pedra de moinho, e que fosse lançado no mar. E se a tua mão te fizer tropeçar, corta-a; melhor é entrares na vida aleijado, do que, tendo duas mãos, ires para o inferno, para o fogo que nunca se apaga. [onde o seu verme não morre, e o fogo não se apaga.] Ou, se o teu pé te fizer tropeçar, corta-o; melhor é entrares coxo na vida, do que, tendo dois pés, seres lançado no inferno. [onde o seu verme não morre, e o fogo não se apaga.] Ou, se o teu olho te fizer tropeçar, lança-o fora; melhor é entrares no reino de Deus com um só olho, do que, tendo dois olhos, seres lançado no inferno. onde o seu verme não morre, e o fogo não se apaga.

Notem bem a comparação que o nosso Senhor faz entre sofrimento terrestre e o sofrimento eterno no Inferno.  Ele está dizendo, em efeito, que o Inferno é muito pior!!!!

Vamos ser justos com o Clayborn e outros que seguem a mesma filosofia: eles realmente são tristes com o fato que os cristãos fazem tão pouco para os pobres.  E têm razão.

Mas uma falha na parte do cristianismo moderno ocidental não é justa causa para mudar a doutrina.

Creio que nosso evangelismo e nossa caridade devem andar de mãos dadas.  Não faz sentido dizer para uma pessoa que está morrendo de sede que ele vai para o inferno, sem dar para ele um copo de água.  Mas é igualmente insensato (e até cruel) satisfazer a sua sede temporariamente sem avisá-lo do juizo eterno de Deus.

Terceiro Mito Infernal: O Inferno é a Ausência de Deus

Em termos de heresias quanto ao inferno, talvez esta tenha mais aceitação do que qualquer outra em meios evangélicos.  Nasce, creio eu, de um desejo de amenenzar—ou seja, “civilizar”—o Inferno.  O conceito de um lugar de eterna punição não bate com a nossa ideia pós-moderna de Deus, então começamos a inventar explicações extra-bíblicas que possuem um ar de espiritualidade, mas que roubam o Inferno de seu efeito. 

Para ser justo, talvez isto seja uma reação contra pessoas que exageram na sua apresentação do inferno.  Lembro me de um colega aqui no Brasil que recebeu uma visita de certo pastor norte americano.  O pastor ia pregar na igreja, traduzido por meu amigo.  Quando chegou a hora, o pastor visitante subiu ao púlpito, fitou os olhos na congregação, e exclamou: 

–Everybody here is going to Hell!  (Tudo mundo aqui vai para o inferno.) 

Depois de uma ligera pausa, o missionário traduziu: 

–Quero desejar uma boa noite a todos. 

A nossa apresentação da verdade do Inferno precisa ser fruto de amor e compaixão pelos perdidos, e temperada com a lembrança de que, fora a graça de Deus, nós tambem estariamos destinados a este lugar terrível.

Mas nunca jamais devemos tentar descrever o inferno como sendo menos terrível do que realmente é.  Para dizer que existe um lugar onde Deus não está, seja onde for, fere o atributo divino de onipresência.  Vejam as palavras do salmista em Salmo 139: 

Para onde me irei do teu Espírito, ou para onde fugirei da tua presença?Se subir ao céu, tu aí estás; se fizer no Seol a minha cama, eis que tu ali estás também.

No contexto maior, o autor deste salmo está declarando que não existe nenhum lugar onde Deus não está.  Embora a palavra Seol não ter o mesmo significado que Gehenna (as vezes é traduzida “inferno”, mas talvez a melhor tradução seja “cova”) o sentido da passagem é claro: Deus está presente na vida, e após a vida. 

Vejamos mais uma vez Mateus 10:28: 

E não temais os que matam o corpo, e não podem matar a alma; temei antes aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo.

Este versículo, obviamente se referindo a Deus, sugere um papel ativo no juizo eterno das almas perdidas.

Talvez o teólogo R.C. Sproul expressou melhor o motivo desta heresia ter tanta aceitação hoje em dia: 

Ser separado de Deus para eternidade não seria uma grande ameaça para a pessoa inpenitene. O injusto quer nada mais do que ser separado de Deus.  Seu problema no inferno não será separação de Deus, será a presença de Deus que irá tormentá-los.  No inferno, Deus será presente na plenitude de sua ira divina.  (tradução do autor)

Como cristãos, devemos tomar cuidado para não descrever para os perdidos um inferno fictício, que no final das contas não seria uma coisa tão ruim para eles. 

Precisamos reaprender a comunicar o fato do eterno juízo de Deus com a mesma paixão, intensidade, e amor que teve o grande Jonathan Edwards.  Só assim ouviremos o clamor da boca de pecadores:

O que faremos para sermos salvos?

De Onde Vêm os Direitos Humanos?

Ontem, dia 10 de dezembro, marcou sessenta anos desde a adoção da Declaração Universal de Direitos Humanos pela Organização das Nações Unidas. É um documento idealista, cheio de esperança e otimismo pelo futuro.

E fútil.

A história mundial desde a adoção da declaração tem mostrado a futilidade de seus ideais. Guerras, genocídio, opressão, crueldade–palavras que caracterizam os eventos que seguiram este ato da ONU. Como é que um documento dessa, tão cheia de boas intenções, apoiado pela maioria daos países do mundo, chega a ser tão inútil?

A resposta é principalmente teológica.

Vamos examinar o primeiro artigo da declaração:

Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão  e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade.

Nascem livres porque?  Quem concede a igualdade e os direitos?  Dotados de razão e consciência por quem?

Esta afirmação forma o alicerce do documento. E nele encontramos a sua deficiência. Compare a frase a cima com a abertura do documento que serviu de modelo para a ONU, a Declaração de Independência escrito por Thomas Jefferson em 1776:

Consideramos estas verdades como evidentes por si mesmas, que todos os homens foram criados iguais, foram dotados pelo Criador de certos direitos inalienáveis, que entre estes estão a vida, a liberdade e a busca da felicidade.

Temas semalhantes, esperanças quase iguais, mas com uma grande diferênça. No documento norteamericano, a base da igualdade do homem é Deus. No da ONU, a base é o próprio homem.

Meu alvo não é uma defesa dos EUA. Sei que a história, antiga e recente, do país é repleta de injustíça, atos de violência, e opressões. Os próprios fundadores do país muitas vezes não praticavam o pregaram. O próprio Thomas Jefferson, por exemplo, era dono de escravos.

Neste aspecto os dois documentos são parceiros na sua hipocresia. Veja esta cidação do preâmbulo da Declaração de Direitos Humanos:

…Considerando que o desprezo e o desrespeito pelos direitos humanos resultaram em atos bárbaros que ultrajaram a consciência da Humanidade…

Aqui se refer ao barbarismo da Alemanhã do Hitler e seus crimes contra judeus, entre outros grupos. Mas presente na assembleia que aprovou a adoção da declaração foi a União Soviética, então liderada por Josef Stalin, que não conheceu nem conhece igual quando fala em barbaridade. (obs. A União Soviética não assinou o documento.  Para uma lista dos países que assinarem, veja aqui.)

Depois da Declaração da Independência, a democracia se enraizou e cresceu na America do Norte. A escravidão foi abolido. A desigualdade foi aos poucos cedendo. As mulheres conseguiram o voto e outros direitos antes negados a elas. O país não é, nunca foi, e nunca será perfeito. Porem os princípios daquela declaração, baseado na crença de um Criador, tiveram e continuam tendo um efeito—nacional e mundialmente.

Isso porque os homens que bolaram este documento—mesmo os que não eram crentes confissionais—ainda entenderam que o valor do ser humano vem do fato que o homem foi criado na imagem de Deus.

E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; domine ele sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os animais domésticos, e sobre toda a terra, e sobre todo réptil que se arrasta sobre a terra. Criou, pois, Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. (Gen. 1:26-27)

A Declaração Universal de Direitos Humanos da ONU, porem, nunca teve, e nunca terá, o mesmo efeito, pois a base do documento é o homem.  E o homem, quando tenta basear seu valor em si mesmo, vira um animal.

Para confirmar esta verdade, é só dar uma olhada na Revolução Françesa.  Liberdade, Igualdade, Fraternidade–e uma base filosófica completamente humanista.  O resultado foi um banho de sangue pouco igualado na história.

Voltando para a declaração da ONU, o fliósofo de teólogo Francis Schaeffer reconheceu a impossibilidade que é esta declaração de direitos humanos:

…quando estas nações que não têm base para procedimentos democráticos nos seus próprios países se juntam em organizações internacionais e nelas formam a maioria, nos enganamos ao pensar que não funcionarão da maneira que funcionam nos seus próprios países, mesmo se isso significa funcionar ilegalmente contra as constituições ou regimentos dessas organizações. (How Should We Then Live, 250, tradução do autor)

Sumarizando:

1. A declaração dos Direitos Humanos se baseia no homem, deixando para fora qualquer menção de Deus ou a criação.

2. A maioria dos países que supostamente aderam a este documento tambem não possúem a base bíblica do valor do ser humano.

3. Estes países usam a declaração para condenar os atos dos seus inimigos, mas não se aplicam os ideais a se mesmo.

O dever do crente é de proclamar o valor do ser humano, e lutar para os seus direitos, “falando a verdade ao poder” com ousadia sempre quando for necessário.

E não devemos nos iludir…A Declaração de Direitos Humanos, por ser baseado completamente no homem, não garante nada na vida real.

Segundo Mito Infernal: O Inferno é o Domínio de Satanás

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Dualismo e "A Força"

A cultura popular transimite a idéia que existem duas forças neste mundo: a força do bem (identificada com Deus) e a força do mal (identificada com Satanás). Estas duas forças se opoem, e as vezes até se complementam. Como cada força tem que ter sua base de operações, a sede de Deus fica no Céu, enquanto Satanás comanda o mal desde o Inferno.

Esta ideia dualistica é muito comum até na Igreja. Perdi a conta das peças e filmes evangélicas que tenho visto onde as pessoas, ao morrerem, foram arrastados pelos demónios até ao Inferno, onde o próprio Satanás administrava a tortura.

Muito chamativo. Muito emocionante. Muito errado.

Vejam Mateus 25:41:

Então dirá também aos que estiverem ã sua esquerda: Apartai- vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o Diabo e seus anjos;

E tambem Apocalipse 20:10

…e o Diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde estão a besta e o falso profeta; e de dia e de noite serão atormentados pelos séculos dos séculos.

Notem três verdades evidentes nestas duas passagens.

1. O inferno foi criado por Deus. Veja que Jesus diz em Mateus que o fogo eterno foi criado para o Diabo e sues anjos, não por eles. Vemos que a ideia do inferno partiu da mente de Deus.

2. O inferno é administrado por Deus. Prestem atenção em que diz Apocalipse 20:10, falando do Diabo e seus servos:

…e de dia e de noite serão atormantados pelos séculos dos séculos.

Notem que Satanás não está atormentando, e sim está sendo atormentado.

3. O alvo principal do Inferno é Satanás. Mais uma vez em Mateus 10, nós vemos que, longe de ser o dono do lugar, Satanás é o convidado de (des)honra. Quando Deus criou o Inferno, estava pensando especificamente no Diabo. As pessoas que se rebelam contra Deus, rejeitando o seu Filho, se tornam co-conspiradores com Satanás, e assim irão compartilhar junto com ele o seu castigo eterno.

O mito que o inferno seja o domínio do Diabo, fora o dualismo implícito, tende a menosprezar o seu impacto. Os incrédulos vivem num mundo governado pelos “potestades e principados do ar”, então passar a eternidade sob o mesmo domínio não seria tão diferente. Mas pavoroso é cogitar a possibilidade de passar os séculos dos séculos sob a justa ira de Deus.

Quanto às peças de teatro e filmes evangélicos que cedem a essa visão errada do filme, faço duas perguntas:

1. Será que evangelismo é um motivo legítimo para deixar de lado a sã doutrina?

2. Não seria mas eficáz demonstrar para os incrédulos o terror da ira de Deus, em vez de dar continuidade a uma lenda que não tem bases bíblicas?

O que pensam?

Racismo e o Sistema de Quotas

Será que o sistema de quotas é uma boa ideia?  Assista o seguinte vídeo (é um documentário norteamericano, mas a maior parte é em português com legenda em inglês)

Achei o vídeo fantástico pois revela como a ideia de quotas é ridículo.  O sistema de quotas representa nada mais e nada menos do que a institucionalização de racismo aqui no Brasil.

Seguem algums pensamentos sobre o asunto:

O sistema de quotas inventa divisões onde não existem.

Segundo a Bíblia, o homem foi criado na imagem de Deus, e ponto final (Gênesis 1:27). Não existem divisõs nem subdivisões de homens.  Somos iguais, diante de Deus.  Se somos iguais diante de Deus, então tratar qualquer homem ou grupo de homes com acepção é aberração e pecado.  E é justamente isto que um sistema de quotas faz.

Um sistema de quotas não resolve a questão da pobreza.

Num sistema de quotas, como é praticado hoje no Brasil (e tambem nos EUA) uma pessoa negra e rica terá uma vantagem dupla sobre uma pessoa branca e pobre.

O sistema de quotas ainda discrimina contra os afro-brasileiros.

Qual seria pior: me dizer que não posso ir para tal escola porque sou negro, ou dizer que só tenho condições de estudar lá porque o governo vai me ajudar? Resposta: as duas opções são igualmente racistas, pois são baseados na ideia abominável que o negro é, de certa forma, inferior.

Notem tambem no vídeo como a avaliação é feita no sistema.  Eles tiram uma foto!!! Então, entrada numa escola é determinada pela pigmentação do pele e características do rosto.  Isto é racismo, puro e simples.

Para resumir, um sistema de quotas baseado em “raça” é anti-bíblico, racista, e imprático–tanto no Brasil quanto nos EUA.

Seus pensamentos?

Primeiro Mito Infernal: Jesus Nunca Falou do Inferno

Este argumento geralmente é articulado mais ou menos da seguinte forma: Quando Cristo falou do Inferno, ele usou a palavra gehenna que, na verdade, refer a um vale perto da cidade de Jerusalem.

Ao princípio, quem usa este argumento tem razão.

O lugar chamado Gehenna, ou Vale do Filho de Hinom, fica ao lado sudeste da cidade de Jerusalem.  Na época do rei Acaz o vale era identificado com o culto pagão do tipo mais abominável:

Também queimava incenso no vale do filho de Hinom, e queimou seus filhos no fogo, conforme as abominações das nações que o senhor expulsara de diante dos filhos de Israel. 2 Crônicas 28:3

Em Jeremias 19:6 Deus pronuncia julgamento contra este grande mal, e o lugar torna a ser associado com o juízo divino:

Por isso eis que dias vêm, diz o Senhor, em que este lugar não se chamara mais Tofete, nem o vale do filho de Hinom, mas o vale da matança.

Esta profecia se cumpriu quando Nabucodonosor destruiu a cidade de Jerusalem e seus ao redores em 586 AD.  Depois deste tempo o vale se tornou o lugar onde o lixo da cidade foi jogado.  Até corpos de reus executados foram depositados ali.  As vezes os moradores tocavam fogo na sujeira para evitar que doenças atingissem a população.

Então quando Cristo se referiu a gehenna, os judeus daquela época pensavam logo em um lugar nojento associado com o juízo de Deus.

Agora vamos examinar alguns exemplos específicos onde Cristo fala em gehenna.

Veja Mateus 10:28:

E não temais os que matam o corpo, e não podem matar a alma; temei antes aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo.

Aqui Jesus usa a palavra gehenna para se referir a um lugar onde o corpo e a alma iam perecer.  Claramente ele não está se referindo ao lugar geográfico próximo à Jerusalem, e sim está usando esta imagem para se referir a uma coisa bem pior.

Marcos 943 é ainda mais gráfico:

E se a tua mão te fizer tropeçar, corta-a; melhor é entrares na vida aleijado, do que, tendo duas mãos, ires para o inferno, para o fogo que nunca se apaga.

Em contraste ao gehenna terrestre, onde o fogo com certeza apagava–e atualmente está apagado–o juízo divino é um lugar onde o fogo nunca se apaga.  Compare esta afirmação com algumas referências em Apocalipse:

…e o Diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde estão a besta e o falso profeta; e de dia e de noite serão atormentados pelos séculos dos séculos. Apocalipse 20:10

E tambem:

Mas, quanto aos medrosos, e aos incrédulos, e aos abomináveis, e aos homicidas, e aos adúlteros, e aos feiticeiros, e aos idólatras, e a todos os mentirosos, a sua parte será no lago ardente de fogo e enxofre, que é a segunda morte.  Apocalipse 21:8

Mesmo que a palvra gehenna não seja usada em Apocalipse, é óbvio que está se referindo ao mesmo lugar.

Com estas evidências fica claro que Jesus Cristo falou sim do inferno.  Aqueles que afirmam o oposto devem prestar atenção em que Ele realmente disse, e não tentar impor suas crenças falsas quanto a justiça Deus nas palavras de Cristo.