Caderno Teológico

Blog do Missionário Andrew Comings

Terceiro Mito Infernal: O Inferno é a Ausência de Deus

Em termos de heresias quanto ao inferno, talvez esta tenha mais aceitação do que qualquer outra em meios evangélicos.  Nasce, creio eu, de um desejo de amenenzar—ou seja, “civilizar”—o Inferno.  O conceito de um lugar de eterna punição não bate com a nossa ideia pós-moderna de Deus, então começamos a inventar explicações extra-bíblicas que possuem um ar de espiritualidade, mas que roubam o Inferno de seu efeito. 

Para ser justo, talvez isto seja uma reação contra pessoas que exageram na sua apresentação do inferno.  Lembro me de um colega aqui no Brasil que recebeu uma visita de certo pastor norte americano.  O pastor ia pregar na igreja, traduzido por meu amigo.  Quando chegou a hora, o pastor visitante subiu ao púlpito, fitou os olhos na congregação, e exclamou: 

–Everybody here is going to Hell!  (Tudo mundo aqui vai para o inferno.) 

Depois de uma ligera pausa, o missionário traduziu: 

–Quero desejar uma boa noite a todos. 

A nossa apresentação da verdade do Inferno precisa ser fruto de amor e compaixão pelos perdidos, e temperada com a lembrança de que, fora a graça de Deus, nós tambem estariamos destinados a este lugar terrível.

Mas nunca jamais devemos tentar descrever o inferno como sendo menos terrível do que realmente é.  Para dizer que existe um lugar onde Deus não está, seja onde for, fere o atributo divino de onipresência.  Vejam as palavras do salmista em Salmo 139: 

Para onde me irei do teu Espírito, ou para onde fugirei da tua presença?Se subir ao céu, tu aí estás; se fizer no Seol a minha cama, eis que tu ali estás também.

No contexto maior, o autor deste salmo está declarando que não existe nenhum lugar onde Deus não está.  Embora a palavra Seol não ter o mesmo significado que Gehenna (as vezes é traduzida “inferno”, mas talvez a melhor tradução seja “cova”) o sentido da passagem é claro: Deus está presente na vida, e após a vida. 

Vejamos mais uma vez Mateus 10:28: 

E não temais os que matam o corpo, e não podem matar a alma; temei antes aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo.

Este versículo, obviamente se referindo a Deus, sugere um papel ativo no juizo eterno das almas perdidas.

Talvez o teólogo R.C. Sproul expressou melhor o motivo desta heresia ter tanta aceitação hoje em dia: 

Ser separado de Deus para eternidade não seria uma grande ameaça para a pessoa inpenitene. O injusto quer nada mais do que ser separado de Deus.  Seu problema no inferno não será separação de Deus, será a presença de Deus que irá tormentá-los.  No inferno, Deus será presente na plenitude de sua ira divina.  (tradução do autor)

Como cristãos, devemos tomar cuidado para não descrever para os perdidos um inferno fictício, que no final das contas não seria uma coisa tão ruim para eles. 

Precisamos reaprender a comunicar o fato do eterno juízo de Deus com a mesma paixão, intensidade, e amor que teve o grande Jonathan Edwards.  Só assim ouviremos o clamor da boca de pecadores:

O que faremos para sermos salvos?

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