Caderno Teológico

Blog do Missionário Andrew Comings

Arquivo para março, 2009

Caso Grave de Valores Invertidos

Ontem me assustei ao ler um artigo publicado pelo Reuters.  Se trata de um vídeo feito por pessoas ligadas à Jocum (Jovens Com Uma Missão) que relata a prática bárbara de alguns indíginos da região amazónica de interrarem vivas crianças não-desejadas.  A tese do artigo (em inglês) é que quem fez o vídeo (que tem como título Hakani) está incentivando o preconceito contra os índios.

Em outras palavras, existem dois grupos de pessoas: os índios que estão enterrando vivos os seus filhos (e o artigo nunca nega esse fato) e os missionários que estão tentando acabar com a prática.  E os vilões da história são os missionários!

Os missionários que estão querendo que a gente pense mal dos coitados dos índios.  Os missionários que querem acabar com a cultura deles.  Os missionários que não entendem os motivos dos inocentes moradores das florestas.

Basta!

Ninguem quer defender os direitos daquelas crianças que serão enterradas vivas?  O que é que as autoridades tem a dizer sobre elas?  A Fiona Watson, membro de um grupo chamado Survival, tem a seguinte reclamação contra o filme dos missionários:

The infanticide is not being explained; it’s being taken out of context.

Traduzido:

O infanticídio não está sendo explicado.  Está sendo levado fora do contexto.

Me diga uma coisa: qual é o contexto onde enterrar crianças vivas seria justificado? Qual é o problema em querer por um fim a essa prática horrosa?

Mais uma vez quero citar aqui Provérbios 24:11-12

Livra os que estão sendo levados ã morte, detém os que vão tropeçando para a matança. Se disseres: Eis que não o sabemos; porventura aquele que pesa os corações não o percebe? e aquele que guarda a tua vida não o sabe? e não retribuirá a cada um conforme a sua obra?

Os oficiais da FUNAI, IBAMA, e outras organizações e ONGs–que têm maiores recursos para ajudar a acabar com essa barbaridade–terão muito que responder pela suas ações indescupáveis.

O vídeo Hakani pode ser visto no YouTube aqui. Aviso: o assunto deste vídeo talvez não seja apropriado para crianças!

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Afeições Religiosas 2.0: Impressões dos Meus Alunos

Como mencionei antes, fizemos uma conferência aqui no SBC sobre Afeições Religiosas, tendo como base a obra de Jonathan Edwards do mesmo nome.  Foi muito proveitosa e edificante.

Como exigência da matéria que leciono aqui no seminário, todos meus alunos criam um blog.  Já que a conferência aconteceu no início do semestre, pedi para eles escreverem as suas impressões.  Aqui são algumas que quero compartilhar com vocês:

Raimundo Neto, no seu blog com o título muito criativo Roda dos Esclarecedores, sumariza a menságem básica da conferência:

Para falar sobre afeições, temos primeiro que esquecer o nosso atual conceito de afeições. Com afeições religiosas Edwards quer falar sobre “os execícios mais vigorosos e evidentes da inclinação e vontade da alma”. Edwards baseia toda sua tese no texto de 1 Pedro 1:8 “…A quem, não havendo visto, amais; no qual, não vendo, agora, mas crendo, exultais com alegria indizível e cheia de glória, …”. Mas o que vem a ser estas afeições? O que ele quer dizer é que o crente maduro, deve ter afeições santas. Essas afeições são aquelas provocadas pelo zelo por Deus. São estas afeições que faz com que os verdadeiros cristão amem mais a Deus do que o pecado, amem a Deus e odeiem o pecado. Para resumir a idéia em comparação com o texto bíblico escolhido por Edwards, vale deixar uma frase colocada pelo palestrante, Dr. Craig Muri: “O cristão ama o Deus que não vê e se regozija com a promessa que não recebeu.”

Já Rafael, vulgo Fielzinho, foi impactado profundamente pelo estudo:

Foi uma profunda análise do eu e minhas afeições. Mesmo depois de tantos anos convicto, cheguei a me questionar: “sou um salvo?”.

Se você quiser ouvir as mensagens e ver a apostilha da conferência, estão disponíveis no site do Seminário Batista do Cariri.

Quero tambem encorajá-lhes a acompanharem os blogs dos meus alunos.  A maioria são novatos no blogosfero, mas mostram promessa para o futuro.  Em breve terá uma lista de links na barra lateral com o título Meus Alunos.

Maravilhosa Graça

O hino mais popular de todos os tempos (mesmo que não aparece no Cantor Cristão) cantado num lugar onde milhares de cristãos perderam as vidas–e ganharam o mundo!

Mais Sobre Sean Goldman

Roberta Palermo, uma terapeuta familiar brasileira, escreveu um ensaio sobre o caso Sean Goldman.  Quero chamar a sua atenção à alguns pontos excelentes que ela faz.

Ele [David Goldman] é o pai da criança e independente da mãe ter ido embora do país de má fé, ou não, não faz alguma diferença. O pai teve algum direito de opinar a respeito dessa decisão? O pai pode ter sido um péssimo marido, mas não deixa de ser o pai que esse menino tem.

Isso mesmo.  E o direito do pai vence qualquer direito que o padrasto ou a família materna pensam que têm.  Ela tambem faz essa observação que vai direto aos motivos da família:

Para manter, mesmo à distância, um vínculo da criança com o pai, não seria importante manter a língua inglesa? Mas fazem questão de dizer que o menino pouco se lembra da língua paterna, para ser mais um fator que poderia dificultar a mudança da guarda.

Este e outros fatores me levam a pensar que, realmente, essa família não está pensando nos interesses do pequeno Sean.

A autora fecha, depois, seu artigo com chave de ouro:

Caso o pai tenha o direito de levá-lo, o ideal seria que ele ficasse no Brasil alguns meses, convivendo diariamente com o filho para formar um vínculo, desde que ao mesmo tempo o menino não estivesse sofrendo pressão das pessoas que querem que ele fique. Certamente os famliares maternos não fariam isso. Pensariam apenas no bem estar da criança, já que seguiriam a decisão da justiça que decidiu que o menino voltaria aos Estados Unidos com o pai. Eles querem que o pai entenda que agora o filho já está no Brasil, já está acostumado. Simples assim. Vamos ver se entenderão se a justiça permitir que o pai o leve de volta.

Posso acrescentar nada a estas brilhantes observações.  Precisam ler o artigo completo.  Tambe, se quiserem ficar em dias com o andamento do caso, deve ler a carta publicada pela advogada do pai, refutando as acusações postas numa recente carta do João Paulo Lins e Silva. (Só encontrei a versão em inglês.  Quando aparecer a versão  em português irei postá-la aqui.)

Mas tarde irei tratar do assunto do papel do pai numa família, do ponto de vista bíblico.

Afeições Religiosas

Nesta semana o seminário onde trabalho está realizando uma conferência com o tema Afeições Religiosas.  O preletor, pastor norteamericano Craig Muri, é especialista na vida de Jonathan Edwards, grande pregador do século 18.  As clínicas e menságens são baseados no livro de Edwards com o mesmo título.

A menságem de ontem foi excelente.  Se você quiser ouví-la, está disponível para ser baixada na página do seminário.